A Coroa portuguesa, ainda no século XVII, desenvolveu estratégias de expansão da fronteira colonial para a região do Baixo Amazonas. Esse processo é evidente pela construção de uma rede de fortificações, que nesse contexto inclui Santarém, Óbidos e Almeirim. A partir desses espaços fortificados, buscava-se proteger o território contra franceses, holandeses e ingleses que estabeleciam feitorias e comércio na região viabilizado pelo contato com diversos grupos indígenas desde finais do século XVI. Neste trabalho, busca-se a partir dessas construções, analisar a relação entre prestação de serviços e mercês que envolve a família Mota e sua atuação na construção dessas fortalezas do Baixo Amazonas. Destaca-se na análise a lógica do Antigo Regime, em que estão inseridos esses indivíduos e as peculiaridades constituídas pelas relações sociais e necessidades da colonização. Verificou-se na análise de documentos do Arquivo Nacional da Torre do Tombo e do Arquivo Histórico Ultramarino, que o financiamento das obras de fortificações no Baixo Amazonas pela família Mota esteve associado ao recebimento títulos, postos e posses na região. Trata-se de verificar, as particularidades da expansão dessa fronteira colonial a partir da atuação de Francisco da Mota Falcão e seu filho Manoel da Mota e as relações de prestação de serviços e mercês estabelecidos entre a família e a Coroa portuguesa. Dessa forma, constata-se que o Baixo Amazonas se inseria nas políticas de Portugal, quanto a proteção e defesa do território, por uma lógica que integra a prestação de serviços de indivíduos que buscam favorecimento pessoal e integração em uma nobreza colonial a partir como no caso da família Mota.