O início do século XX se constitui em um período historicamente essencial para a cidade Belém, o capital obtido com a exportação da borracha proporciona a capital do Pará o que se batizou de Belle-Époque, que se configura em um conjunto de modificações na urbe em seus aspectos estrutural, político, econômico e social. O notável crescimento torna a região amazônica um polo atrativo para indivíduos do estado e de outras regiões que migraram para exercer diversos trabalhos, entre eles o de seringueiros, de forma que muitos acabaram por se estabelecer na capital do estado e em suas cercanias. O presente estudo pretende sobretudo, observar o período pós-auge desse processo que vai dos anos 1920 aos anos 1940, principalmente atentando para a expansão demográfica que se segue e a consequente ocupação das áreas de periferia que se localizavam à margem da zona central urbana. Visando entender a formação dos espaços periféricos, a então pesquisa trata do papel desses sujeitos que se apropriam dos ambientes em questão, olhando também aspectos da vivência nesses lugares a partir da classe popular paraense e seus movimentos, não deixando de lado as relações que possuíam com o poder estatal que partindo de uma ideia de civilização e modernidade, que domina o século XX, buscavam ordenar comportamentos e espaços. Essa percepção é possível através da observação de diversos documentos que registram a expansão e onde há os dados sobre os sujeitos dessa periferia ou a visão sobre os mesmos e os lugares de seu cotidiano, entre eles, jornais, revistas, censos e relatórios consultados em acervos como os do Arquivo público do Estado do Pará, da Biblioteca Pública Arthur Vianna, da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional e do Acervo digital do IBGE. Através dessas fontes torna-se possível, além disso, perceber o crescimento populacional, a consequente ocupação das periferias e o aumento das demandas de ações do poder público e acesso a serviços, cobradas através da mobilização dos indivíduos das mesmas comunidades, de mesma forma foi viável analisar a peculiar mistura entre urbano e rural que caracteriza esses espaços no período de recorte, bem como outros elementos que caracterizavam a vida cotidiana da classe popular belenense, relativos a alimentação, moradia, renda e trabalho.