Em 1752, o governo português fundou Vila Bela da Santíssima Trindade, que se tornou capital da recém-criada Capitania do Mato Grosso. Localizada na margem do Rio Guaporé, os novos moradores de Vila Bela precisavam lidar com as dinâmicas dos movimentos das águas do Guaporé. Além disso, a chuva aparece, igualmente, como elemento que provocou um impacto naquele povoamento lusitano. Nesse sentido, a partir, principalmente, da documentação do Arquivo Histórico Ultramarino (Avulsos da Capitania do Mato Grosso) e dos Anais de Vila Bela, essa comunicação pretende analisar como o regime das águas do Guaporé e as chuvas impactavam na realização das atividades desenvolvidas pela coroa portuguesa e pelos moradores de Vila Bela. Observa-se que a água, do rio ou da chuva, influenciava na execução das atividades mineradoras e agrícolas, na escolha dos lugares para construir núcleos de povoamento português e articular operações de guerra, uma vez que a Capitania de Mato Grosso fazia fronteira com os domínios hispânicos e na década de 1760 os reinos ibéricos prepararam-se para o enfrentarem bélico nessa área. Assim, refletir acerca da Capitania do Mato Grosso e, principalmente de Vila Bela, demanda considerar o papel que as águas desempenharam no desenvolvimento e articulação de diversas atividades desenvolvidas naquela área.
Palavras-chave: Mato Grosso Colonial. Vila Bela. Século XVIII. Rios. Águas.