As províncias do Norte enfrentaram uma estiagem que levou muita gente a migrar em busca de sobrevivência. Essa data fatídica compreendeu o período de 1877-79. O Piauí, além de ter sido acometido pela seca, também, pela localização geográfica, recebeu uma leva de migrantes que chegavam do Ceará com destino as províncias do Maranhão, Pará e Amazonas. Nos anos que marcaram o período de seca o que se viu foram as queixas dos presidentes provinciais com o “fluxo de vítimas, sobretudo cearenses”, que se deslocaram por estes lados com certa intensidade e fazendo da capital Teresina e de várias vilas da província um verdadeiro formigueiro de pessoas, logo, noticiavam os jornais e as fontes oficiais, o ziguezague de uma multidão de gente “famintas”, “esfarrapadas” e “doentes” em busca de alimentos e fixação. Além disso, a falta de água, o desaparecimento dos rebanhos e a impossibilidade de preservar a economia de subsistência, a migração foi a opção viável e de pronta resistência para que pudessem assentar as numerosas famílias foram buscar refúgios para aliviar suas famílias da fome, das moléstias e da falta d’água. No Arquivo Público do Piauí existe uma vasta documentação de manuscritos que nos permite analisar e mapear as condições desses migrantes e as ações que foram planejadas pelos gestores e autoridades para alojar e dimensionar essa população e, posteriormente, colocá-los no trabalho regular. Dito isto, destacam-se os seguintes documentos: correspondências, súplicas, requerimentos, relatórios, atas de reuniões, contratos de trabalhos dos Núcleos Coloniais, transporte de retirantes e de alimentos. Toda essa documentação faz parte do Fundo da Comissão de Socorros Públicos, Fundo do Poder Executivo e Fundo de Correspondências com as autoridades. Nessa documentação primária, é possível problematizar, minuciosamente, as relações que se estabeleceram na capital do Piauí e dos deslocamentos destes flagelados para as diversas vilas e o direcionamento para os Núcleos Coloniais, também nos interessa identificar mapear a naturalidade dessa população e a rede de sociabilidade que formaram no interior da província. Além disso identificar também as reivindicações que fizeram os flagelados às autoridades locais no tocante a ajuda às extensas famílias que aqui se estabeleceram.
Palavras-chave: Migração. Seca. Pobreza.